
A puberdade é o momento da mudança. Quando somos crianças, o que mais queremos é crescer e tornar-nos adultos. Porém, quando passamos pela adolescência, nosso corpo e nossa mente passam por enormes mudanças que nos deixam perdidos e angustiados, de modo que começamos a entender que, na verdade, amadurecer é doloroso. E mesmo depois de passarmos por todas essas transformações esquisitas, quando nos tornamos mais velhos, bate uma saudade dessa época no qual as preocupações eram menores e ainda tínhamos uma certa inocência.
Agora, fique bem tranquilo, relaxado e acompanhe essa análise sem spoilers para saber se Araburu Kisetsu no Otome-domo yo (O Maidens in Your Savage Season) é realmente selvagem como o título diz, ou apenas uma história dócil e sem graça.

Araburu Kisetsu no Otome-domo yo gira em torno de um grupo de meninas que participa do clube de literatura da escola secundária Tojo. Por causa da enorme ligação entre o erotismo e a literatura clássica japonesa, as garotas começam a entrar em contato com assuntos “adultos” e descobrem mais sobre questões relacionadas à sexualidade.
O enredo de O Maidens in Your Savage Season é sobre o amadurecimento. O roteiro é desenvolvido por meio do clube de literatura, no qual as meninas vão descobrindo mais sobre o sexo oposto, os seus próprios desejos e os “problemas” gerados por esses novos e estranhos pensamentos.
A maneira como a história é desenvolvida lembra a puberdade, em outras palavras: uma loucura. O gênero da adaptação fica alternando, a todo o momento, entre o romance, drama e comédia; criando uma analogia interessante com a juventude. Durante a puberdade passamos por uma confusão de pensamentos, no qual não sabemos o que somos e o que estamos sentindo; igual ao anime que não sabe qual tipo de história deve seguir; essa relação de incompreensão acaba se tornando bastante divertida e criativa.
Apesar dessa confusão de gêneros, a história é bem trabalhada. O drama consegue ser sério o suficiente para criar bons momentos de tensão; o romance é fofo e não tem aquele tom adolescente e irritante de Crepúsculo; e a comédia é divertida e possui várias “piadas sexuais” engraçadas, mostrando que o sexo não precisa ser sempre tratado de um jeito tão sério e rigoroso.
Esse “contraponto” me fez questionar se essa história é uma crítica a maneira como o Japão lida com esses assuntos, pois o país, hoje em dia, passa por sérios problemas com relação a taxa de natalidade. Indicando que, talvez, seja o momento de mudar o jeito de tratar a sexualidade dos jovens japoneses, para evitar mais problemas futuros.
Além disso, a obra também consegue ser educativa ao apresentar vários perigos gerados pelo sexo, mostrando temas informativos, como a gravidez, o assédio sexual sofrido por mulheres, menciona doenças sexualmente transmissíveis, alerta sobre encontro com desconhecidos e até sobre a pedofilía. Tudo isso é exibido de uma maneira até que realista e incômoda, mas sem exagerar negativamente e, creio eu, sem ofender ninguém.

A construção de personagens é feita a partir do crescimento pessoal das protagonistas, nas quais cada uma das cinco heroínas vão descobrindo um assunto específico em relação a maturidade que precisam desenvolver para começarem a se tornar mulheres adultas. Tudo isso é trabalhado de modo que o anime quebra o estereótipo de “pureza” feminina, torna a visão do feminino mais interessante e grita bem alto: “Mulheres também pensam em sexo”.
Agora vamos falar um pouco sobre as cinco personagens principais. O grupo de literatura é composto por Onodera Kazusa, Sugawara Niina, Sudou Momoko, Hongou Hitoha e Sonezaki Rika; de modo que cada garota representa um tema relacionado à puberdade, como se apaixonar, curiosidade sobre sexo, confusão em relação ao sexo masculino, barreiras sociais em relacionamentos e até a questão de tratar qualquer coisa relacionada a sexualidade como um tabu.
Já os coadjuvantes, eles servem para auxiliarem as protagonistas a conseguirem desenvolver o enredo e desvendarem os mistérios sobre o amadurecimento. Normalmente personagens secundários nesses tipos de roteiros não se destacam; mas nessa história teve um certo personagem que conseguiu me chamar atenção, ao apresentar um gosto por um padrão de beleza diferente do japonês tradicional, o que me surpreendeu e agradou bastante.

A direção de arte do anime é boa. O desenho dos personagens é delicado e bonito, de modo que todos os personagens possuem um visual agradável e possuem olhos grandes e bem expressivos; lembrando bastante Kuzu no Honkai (apesar da história de Otome Domo-yo ser mais “leve”).
Outro detalhe bacana da direção de arte é a utilização das cores. A obra utiliza tons bem claros que criam uma analogia muito interessante entre uma folha de papel em branco e o fato das protagonistas ainda serem donzelas. Ou seja, as garotas não estão definidas e ainda estão “puras”; da mesma maneira que uma folha de papel em branco que ainda têm a liberdade de adquirir qualquer cor ou desenho desejado.
A fotografia da adaptação também tem os seus momentos de destaque. Durante o primeiro episódio, os enquadramentos da câmera conseguem tornar algumas cenas bem dinâmicas, divertidas e muito bem dirigidas. Além disso, a animação da abertura e do encerramento de Otome-dome yo vão se modificando ao decorrer da série; tornando extras mais interessantes e evitando com que o espectador os pule.

A dublagem de AraOto está bem competente. As personalidades e aparências das personagens principais combinam com as vozes das dubladoras, em especial a que faz a Hongou-senpai. A seiyuu Kurosawa Tomoyo consegue criar entonações que deixam a protagonista engraçada.
A trilha sonora do anime possui músicas bonitas e que combinam com as necessidades de cada cena; com um destaque maior para a abertura “Otome-domo yo” cantada por CHiCO with HoneyWorks. A opening tem uma melodia muito boa e o refrão consegue ser bastante empolgante e contagiante. Além disso, a letra também é muito legal e fala sobre a coragem das garotas de enfrentarem o processo doloroso de amadurecimento.

Otome-domo yo é um bom anime. O desenho retrata a juventude de uma maneira caótica e dramática, mostrando que, nessa época da puberdade, os nossos hormônios nos fazem ficar loucos e descontrolados.
Com uma história divertida e dramática, protagonistas “selvagens”, uma direção arte interessante e um final completo “pra lá de prazeroso”; Otome-domo yo é uma saudação a puberdade e foi uma experiência divertida e inesperada, pois foi uma animação ofuscada por outros animes da temporada, no qual não ganhou o devido reconhecimento e que quase me passou despercebido. A adaptação é extremamente recomendada para pessoas acima dos catorze anos e é uma obra indicada, especialmente, para jovens libélulas e jovens gafanhotos que estão desfrutando da sua jovialidade.
Se você conseguiu ler até aqui, agradeço muito pela consideração. Caso tenha gostado, recomende para os amigos; caso tenha alguma coisa que precise melhorar, pode ficar a vontade para comentar. Eu vou ficando por aqui e falou, até o próximo post.
Criador do ME ANIMA
























