
Quando Seishun Buta Yarou lançou, as minhas expectativas estavam altíssimas. O criador da obra original, Kamoshida Hajime, é o mesmo que fez Sakurasou no Pet na Kanojo, um anime muito bom e que apresenta várias lições de vida extremamente valiosas.
Agora, fique bem tranquilo e acompanhe essa análise pessoal sem spoilers de Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai (Seishun Buta Yarou wa Bunny Girl Senpai no Yume wo Minai | AoButa), para saber se os pontos positivos do anime são maiores que esse nome gigantesco.

A história apresenta Azusagawa Sakuta, um garoto do segundo ano da Escola Minegahara que está na biblioteca procurando um livro. De repente, aparece Sakurajima Mai, uma terceira anista da mesma escola do protagonista, vestida de coelhinha e andando pelo local sem ser notada por ninguém, exceto Sakuta. Esse acontecimento estranho está relacionado a um mito de Internet chamado Síndrome da Adolescência.
A Síndrome da Adolescência é um experiência anormal que acontece durante a fase da adolescência, no qual é causada pela enorme sensibilidade e instabilidade emocional do jovem. A partir disso, o enredo se desenvolve de maneira que Sakuta vai encontrando vários casos desse fenômeno sobrenatural e tentando ajudar as vítimas a lidarem com essas situações inusitadas.
Se desse para descrever Seishun Buta Yarou em uma única palavra; seria: psicologia. A animação apresenta vários acontecimentos que podem afetar negativamente a saúde mental dos jovens, como a pressão social, solidão, complexo de inferioridade, relações familiares e o bullying. Dessa maneira, a narrativa consegue desenvolver um drama envolvente e até educativo; no qual mostra alguns assuntos interessantes como física quântica, determinismo e até doenças psicológicas.
O que mais chama atenção desse drama é que ele condiz bastante com a imagem que eu tenho, não só da sociedade japonesa, mas da sociedade oriental como um todo. Mesmo que sejam países com um desenvolvimento econômico relativamente bom, o povo é extremamente rigoroso e não parece respeitar o individualismo das pessoas que compõem as suas populações; fazendo com que os indivíduos cheguem a um estresse acima do normal e patológico, o que reflete bastante os altos índices de suicídios na Coreia do Sul e do Japão. Parece-me que essa é mais uma obra que critica a postura da sociedade japonesa.
Entranto, não considero o estresse algo completamente ruim. Certas quantidades de estresse são ótimos estímulos para fazer as pessoas resolverem problemas, amadurecerem e são bons para evitar a estagnação e o conforto total, já que a comodidade excessiva pode causar um retrocesso em toda a evolução adquirida. No final de tudo, é uma questão de equilíbrio.
Enfim, agora voltando para a análise. Entre outros pontos positivos apresentados pela obra, como os diálogos interessantes e a velocidade narrativa agradável que combina com o slice of life, o que mais se destaca é o desenvolvimento dos outros gêneros narrativos. Mesmo que o drama consiga se destacar bastante, o mistério é envolvente e predominante na história; e a comédia é bem particular, mas é funcional e divertida.

Os personagens de Seishun Buta Yarou são bons. As construções tanto do protagonista quanto das coadjuvantes são bem feitas; pois as suas personalidades são agradáveis e o mistério causado pela Síndrome da Adolescência, faz com que os personagens sejam desenvolvidas de maneira calma e gradual para tentarmos descobrir as causas do fenômeno. Isso acaba permitindo com que o espectador conheça todo o drama e o progresso dos personagens, criando-se uma empatia natural pelos mesmos.
Agora vamos falar um pouco sobre os dois personagens principais. Sakuta possui uma personalidade muito única, comparado a protagonistas nesse tipo de história, já que ele é extremamente sincero, confiante e sarcástico. Já a Mai, tem uma personalidade autoritária, séria e madura, mas ao mesmo tempo possui uma inocência antagônica (tsundere) que torna a heroína adorável.
Além disso, a química entre o Sakuta e a Mai é boa. A relação entre a dupla é bastante agradável e interessante. Apesar de possuírem personalidades muito distintas, essas diferenças acabam complementando um ao outro, fazendo com que as cenas envolvendo os dois personagens sejam bastante divertidas.

O visual de Seishun Buta Yarou é bastante competente. A qualidade gráfica está consistente com a história; o desenho dos personagens está bonito e bem agradável; e a fluidez das cenas estão boa.
Porém o ponto de destaque é a direção de arte. A fotografia com planos abertos, os cenários urbanos de cidades mais pacatas e as cores realistas e não muito expressivas, fazem com que a ambientação do anime fique bastante serena e agradável; combinando perfeitamente com o enredo de slice of life, mistério e a velocidade narrativa calma do anime.

O áudio de Seishun Buta Yarou também está bastante funcional. A dublagem está boa ao inserir dubladores com vozes que combinam com as aparências dos seus respectivos personagens. Além disso, as entonações dos seiyuus condizem com as necessidades das cenas.
Outro ponto positivo é a trilha sonora. As músicas são instrumentais, calmas e competentes, de modo que a sonoridade combina com as cenas e também harmoniza perfeitamente com gênero de mistério, ao criar uma ambientação de incerteza e que instiga os momentos mais chocantes.
Os extras também estão bem produzidos. A animação da abertura é interessante de ser assistida, pois possui vários foreshadowings da história. Já o encerramento, tanto a animação quanto a voz da cantora, mudam no decorrer do anime e a música da ending também consegue ser agradável.

Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai é um anime muito bom. A história apresenta um mistério envolvente; o protagonista tem uma personalidade divertida e tanto a fotografia quanto a trilha sonora conseguem ser bastante funcionais. O final é aberto e dá dicas sobre a história da continuação.
Seishun Buta Yarou é um anime excelente e mostra um amadurecimento do criador original da light novel, ao desenvolver uma história muito mais interessante que a sua antiga obra, Sakurasou. O desenho é recomendado para jovens acima dos 12 anos, por causa das piadas e do tema da história (pessoas mais novas podem ter dificuldades de entender a narrativa).
Se você conseguiu ler até aqui, agradeço muito pela consideração. Caso tenha gostado, recomende para os amigos; caso tenha alguma coisa que precise melhorar, pode ficar a vontade para comentar. Eu vou ficando por aqui e falou, até o próximo post.
Criador do ME ANIMA























