
Nausicaä do Vale do Vento (Kaze no Tani no Nausicaä – Naushika) é um filme “engraçado”. Apesar de não pertencer oficialmente ao Studio Ghibli, muitos fãs o consideram o primeiro longa do estúdio (estou 100% de acordo com essa ideia); pois o anime possui várias características parecidas com os projetos futuros da Ghibli. Além disso, Miyazaki Hayao e Takahata Isao (dois fundadores do Studio Ghibli), estavam envolvidos na produção de Nausicaä, um como diretor (Miyazaki) e o outro como roteirista (Takahata).
Agora, fique bem tranquilo e aproveite essa análise sem spoilers, para saber se Naushika é só uma obra clássica ”supervalorizada”, ou realmente faz jus ao renomado “deus dos animes” (Miyazaki). Ou como eu gosto de escrever, se é um filme “MAIS? OU MENOS?”.
OBS: eu não consegui ler o mangá, por isso, essa obra foi analisada sem o conhecimento da história original.

Mil anos depois do colapso industrial o Mar da Decadência cobriu o planeta e começou a ameaçar a humanidade. O Mar da Decadência é tipo um pântano que lança vapores tóxicos, os quais podem matar os seres humanos, caso os mesmos respirem o ar venenoso por mais de cinco minutos. Além disso, novos tipos de criaturas surgiram e as plantas que passaram a crescer nos pântanos começaram a se tornarem venenosas, deixando o solo improdutivo.
O filme é sobre Nausicaä, uma garota que é a princesa do Vale do Vento; um vilarejo pacífico e que tenta viver em harmonia com o ambiente desse mundo apocalíptico. Toda essa calmaria acaba quando um avião misterioso de Tolmekia (uma nação militar) cai na vila, e começa a espalhar o caos no Vale do Vento. Agora, cabe a Nausicaä tentar salvar o seu povo e restaurar a paz do seu vilarejo.
A história de Kaze no Tani no Nausicaä é muito interessante. O universo criado por Miyazaki é riquíssimo, pela criação de uma mitologia própria e usar o gênero de aventura para explorar o universo do longa. Além de conseguir desenvolver bem o tema de poluição da natureza, um dos assuntos mais recorrentes nos filmes do renomado diretor; lembrando o filme Princesa Mononoke e o assunto atual das queimadas da Amazônia.
Nausicaä é tão intrigante que após terminar de assistir ao longa e descobrir que um manga deu origem a essa animação, eu me senti culpado por não ter lido a obra original e me causou o pensamento de: “se em apenas duas horas de filme, o diretor conseguiu criar algo tão legal, imagina o manga, que não tem a limitação de tempo e pode se desenvolver de uma maneira mais natural”.

Os personagens do filme são modelos para os futuros projetos do Miyazaki. Os homens do Vale do Vento lembram muito os mineradores de O Castelo no Céu, pois os dois servem como um alívio cômico. E a antagonista principal de Nausicaä, a Kushana, tem uma personalidade e um papel narrativo bem similar a Eboshi de Princesa Mononoke.
Agora vamos falar sobre a personagem principal. A Nausicaä é o primeiro exemplo de Miyazaki de como criar uma personagem feminina interessante e que não é indefesa. A princesa do Vale do Vento é uma garota de personalidade doce, com um grande amor pela vida e que possui uma determinação invejável; sendo uma combinação do contexto e da personalidade de Sheeta (O Castelo no Céu) e a bravura de San (Princesa Mononoke).
Depois que você assiste Kaze no Tani no Nausicaä e conhece os filmes do Studio Ghibli; é impressionante o quanto a personagem Nausicaä foi relevante para criar uma identidade do estúdio e do próprio Miyazaki, nos quais quase todos os filmes apresentam ótimas protagonistas femininas e que fogem do estereótipo criado pelos filmes de princesas da Disney.

O visual de Nausicaä do Vale do Vento é incrível. O traço do filme é usado, até hoje, como referência para a maioria dos projetos do Studio Ghibli, de modo que o design da personagem Nausicaä é adorável. Além disso, as cores dos cenários estão bem inseridas, pois as cenas do mundo apocalíptico ganham tons mais frios e os momentos envolvendo os humanos adquirem cores mais quentes.
Mas o que realmente chama a atenção é a animação. O longa é de 1984, e mesmo assim, a animação consegue ser melhor do que alguns animes atuais. A fluidez das cenas está muito agradável, principalmente nas cenas de ação, as quais estão com movimentos bem naturais e trazem o sentimento mágico de voar (algo recorrente nas obras de Miyazaki); além da qualidade gráfica ser ótima para época, trazendo um saudosismo caloroso aos fãs da técnica de animação em célula.
Tem também um outro detalhe que me chamou a atenção, mas isso na verdade é mais uma curiosidade do que um ponto de análise. É bizarro como o traço do personagem Asbel(Ashiberu) lembra o Pazu (O Castelo no Céu) e o Ashitaka (Princesa Mononoke). Volto a comentar, é impressionante o quanto Nausicaäinspirou na criação de Rapyuta e Mononoke Hime.

O áudio de Kaze no Tani no Nausicaä é maravilhoso. A dublagem combina com os personagens, tanto em personalidade quanto em aparência, e os dubladores conseguem entregar uma entonação natural e nada forçada. Além disso, os sons ambientes aumentam a imersão do espectador, principalmente nos momentos de vôo, nos quais a protagonista usa um planador.
A trilha musical é algo quase indescritível. Nas cenas de ação, as músicas adquirem sons mais tensos e algumas possuem uma sonoridade que lembra os fliperamas. Porém, o que torna única a trilha sonora de Nausicaä é a música principal “Kaze no Tani no Naushika” feita por Joe Hisaishi. A melodia consegue tornar os cenários da animação mais belos e imponentes, sem falar que a música é tão bonita que dá vontade de chorar e poderia facilmente ser confundida com alguma música clássica.

Kaze no Tani no Nausicaä é um filme… MAIS!!!. Nausicaä do Vale do Vento é um filme muito bom, merece reconhecimento histórico e o título de clássico. O seu universo é bem construído, a protagonista é inspiradora, o visual é atemporal e trilha sonora é magistral. O longa funciona para otakus, amantes do cinema e até para o público geral; sendo recomendado para pessoas acima dos dez anos que gostem de uma boa aventura ou pessoas que sejam fãs de animação cinematográfica.
Se você conseguiu ler até aqui, agradeço muito pela consideração. Caso tenha gostado, recomende para os amigos; caso tenha alguma coisa que precise melhorar, pode ficar a vontade para comentar. Eu vou ficando por aqui e falou, até o próximo post.
Criador do ME ANIMA


























